Archive for the ‘Internet’ category

Compartilhando perfis do Firefox com dual boot

April 13th, 2010

Muitos usuários de Linux têm dual boot com uma instalação de Windows, geralmente para executar alguma aplicação específica, como jogos mais recentes ou o iTunes (apesar de que o Ubuntu 10.04 deve suportar iPod e iPhone).

Quem utiliza esta configuração e usa Firefox em ambos os sistemas operacionais acaba tendo dois perfis independentes no browser, e não consegue acessar bookmarks, histórico e extensões instaladas no outro sistema. Uma solução para este problema é compartilhar os perfis do Firefox entre os sistemas operacionais.

O Firefox armazena um diretório com configurações pessoais do usuário. No Linux, esse diretório fica tipicamente em /home/usuario/.mozilla/Firefox/, e no Windows, em C:\Documents and Settings\usuario\Dados de aplicativos\Mozilla\Firefox\. Este diretório contém, entre outras coisas, um subdiretório Profiles com todos os perfis criados (mais detalhes sobre isso no post sobre gerenciamento de perfis no Firefox) e um arquivo profiles.ini. Este arquivo é carregado na inicialização do browser, e faz referência aos perfis utilizados. O formato do arquivo é como mostra o exemplo abaixo:

[General]
StartWithLastProfile=1

[Profile0]
Name=default
IsRelative=1
Path=Profiles/dwi06ij0.default

[Profile1]
Name=teste
IsRelative=1
Path=Profiles/nkc5ofgt.default
Default=1

O arquivo é dividido em seções. A primeira, General, tem somente o parâmetro StartWithLastProfile: se for 0, será exibida a tela de seleção de perfis; se for 1, o último perfil que foi usado será escolhido automaticamente.

As seções seguintes definem todos os perfis criados. Cada perfil tem um nome e um path – que será relativo ao diretório de configurações do Firefox se IsRelative for 1, e absoluto em caso contrário. O parâmetro Default indica se este é o perfil padrão.

Para que os dois sistemas operacionais compartilhem um perfil, primeiramente é necessário montar a partição do usuário utilizada pelo outro sistema operacional. Isso pode ser feito de duas maneiras:

Mapeando uma partição do Windows no Linux

Para montar uma partição do Windows, basta utilizar o comando mount, como no exemplo abaixo:

sudo mount /dev/sda1 /media/windows

Neste exemplo, a partição do Windows é /dev/sda1, e o diretório destino (que deve ser criado antes) é /media/windows. A partição pode ser FAT32 ou NTFS – neste caso, é necessário instalar o ntfs-3g, que já vem por padrão na maioria das distribuições atuais. Para que a partição seja montada automaticamente na inicialização do sistema, inclua a linha abaixo no arquivo /etc/fstab:

/dev/sda1 /media/windows ntfs defaults 0 0

Caso a partição seja FAT32, substitua ntfs por vfat na linha acima.

A configuração acima também pode ser feita utilizando uma ferramenta gráfica como o ntfs-config.

Mapeando uma partição do Linux no Windows

Para isso, é necessário instalar uma ferramenta como o Ext2 IFS – que, apesar do nome, também suporta ext3. Ao instalar esta ferramenta, será possível mapear qualquer partição ext2 ou ext3 como um drive comum. A figura abaixo mostra uma tela da ferramenta, onde aparecem todas as partições dos discos locais. Em cada partição do Linux, há uma combo box que permite selecionar a letra em que a partição será mapeada – selecionando none o mapeamento será desfeito.

Tela do Ext2 IFS

Entre as duas opções, pessoalmente, prefiro a segunda, pois não gosto da ideia do Windows acessando minhas partições do Linux – só mapeio uma partição com o Ext2 IFS quando preciso copiar algum arquivo, depois desfaço o mapeamento.

Após realizar o mapeamento da partição, de uma das duas formas acima, basta configurar o arquivo profiles.ini do Firefox. Para isso, é possível configurar o path completo para o perfil desejado e definir o parâmetro IsRelative=0, ou fazer um link no diretório onde o Firefox armazena os perfis e configurar o path relativo, com o parâmetro IsRelative=1. A primeira configuração ficaria como no exemplo abaixo:

[Profile0]
Name=default
IsRelative=0
Path=/media/windows/Documents and Settings/guilherme/Dados de aplicativos/Mozilla/Firefox/Profiles/sa8ww6mz.default

Para a segunda configuração, é necessário criar um link com o comando ln:

ln -s /media/windows/Documents\ and\ Settings/guilherme/Dados\ de\ aplicativos/Mozilla/Firefox/Profiles/sa8ww6mz.default /home/guilherme/.mozilla/Firefox/Profiles/

Neste caso, a configuração do arquivo ficaria assim:

[Profile0]
Name=default
IsRelative=1
Path=Profiles/sa8ww6mz.default

Possíveis problemas

Apesar de funcionar muito bem, o compartilhamento de perfis pode trazer alguns problemas:

  • Se as versões do Firefox nos dois sistemas forem diferentes (o que é muito comum, pois o repositório do Ubuntu costuma demorar para atualizar as versões), cada vez que você abrir o browser num sistema após tê-lo acessado no outro será como se você tivesse atualizado a versão do Firefox, ou seja, a inicialização será mais lenta, pois ele verificará a compatibilidade de cada extensão instalada com a versão atual;
  • Se você tentar abrir o Firefox num sistema operacional após ele ter travado no outro sistema, ele exibirá uma mensagem informando que já existe uma sessão aberta. Isso acontece por que, quando o Firefox é iniciado, ele cria um arquivo vazio chamado parent.lock no diretório do perfil que você estiver usando. Este arquivo é excluído quando o browser é fechado. Se isso ocorrer de maneira incomum (ex: travamento do browser ou do sistema operacional), este arquivo impedirá a abertura de outra sessão. Para resolver o problema, exclua esse arquivo;
  • Algumas extensões são incompativeis com determinados sistemas operacionais e versões de browser. Se for o caso, estas extensões serão desativadas pelo browser.

Vídeos com HTML 5 e a nova guerra dos browsers

February 22nd, 2010

No final do século 20, a disputa entre os dois browsers mais populares da época, Netscape e Internet Explorer, ficou conhecida como guerra dos browsers. Nos últimos anos, após um período negro de domínio do IE, outros browsers começaram a crescer e recuperar o espaço que era ocupado pelo falecido Netscape.

Mais recentemente, desde o ano passado, os browsers mais modernos começaram a dar suporte ao HTML 5 – o Firefox, por exemplo, suporta desde a versão 3.5. Entre diversas novidades, o recurso mais popular do HTML 5 é a tag video, que permite a execução de vídeos sem o uso de plugins. A imensa maioria dos sites de vídeo usam Flash, que é uma tecnologia proprietária, e não é suportada em plataformas como o iPhone/iPod Touch. Porém, juntamente com esta nova tag surgiu uma polêmica.

No mês passado, o Youtube – seguido posteriormente por outros sites de vídeos – anunciou que começaria a oferecer vídeos em HTML 5, porém usando o codec H.264. Apesar de suportar HTML 5, o Firefox não tem suporte a este codec, pelo fato de ele ser proprietário, e exigir o pagamento de licenças caríssimas. O Firefox suporta somente o codec OGG Theora, que é open source. Esta atitude do Youtube criou uma grande polêmica: por que eles deixariam de usar uma tecnologia proprietária (Flash) para adotar outra igualmente proprietária (H.264)? O uso de HTML 5 deixa a impressão de que o Youtube partiu para tecnologias abertas, mas isto não ocorreu, devido ao codec escolhido.

Enquanto isso, o Safari (incluindo aí o iPhone) suporta o codec H.264, mas não suporta Theora; o Google Chrome suporta ambos os formatos; o Opera começará a suportar vídeos com codec Theora a partir da versão 10.50; e o IE 8 nem suporta HTML 5, criando um cenário totalmente heterogêneo. Um dos problemas desta divisão é que começamos a nos distanciar da padronização – que é o objetivo principal do W3C – e criar um ambiente onde cada browser suporta diferentes formatos de vídeo, retornando à época da guerra dos browsers, onde dificilmente uma página era igualmente visualizada no IE e no Netscape. Outro problema é que, como o Firefox não consegue exibir os vídeos em HTML 5 do Youtube, muita gente diz erradamente que o Firefox não suporta HTML 5, quando na verdade é um problema de codec.

A solução para os desenvolvedores é oferecer seus vídeos em mais de um formato, multiplicando, desta forma, o espaço necessário e o trabalho de codificação dos vídeos. O Video For Everybody ajuda a resolver este problema, oferecendo um trecho de código HTML que deixa a cargo do browser a escolha da opção mais adequada – se o browser suportar HTML 5 e Theora, este vídeo será exibido; se suportar HTML 5 e H.264, usará este formato; caso contrário, usará o plugin de Flash ou QuickTime, caso estejam instalados. Em último caso, exibe uma imagem do vídeo com um link para download. Esta solução exige o armazenamento do vídeo em dois formatos, mas parece uma boa solução diante de tantas variantes.

Referências:

Problema com a extensão do Remember The Milk no Gmail

January 13th, 2010

Ontem meu Gmail começou a apresentar um problema estranho. Quando eu clicava nas tags, nas pastas de spam ou lixeira, ou tentava fazer uma pesquisa, nada acontecia. Porém, na caixa de entrada tudo funcionava perfeitamente.

Inicialmente pensei que o problema fosse do Firefox, já que ontem atualizei para a versão 3.5.7. Antes de tentar fazer um downgrade, resolvi pesquisar por este problema e encontrei uma referência no forum do Remember The Milk. O problema estava relacionado ao add-on Remember The Milk for Gmail. O Google, de vez em quando, atualiza a versão Gmail, sem qualquer aviso, e a última atualização provocou alguma incompatibilidade nessa extensão. Como a atualização do Gmail é feita inicialmente para um grupo de usuários e só posteriormente replicada para todos, pode ser que muitos usuários não estejam passando por este problema.

O pior é que, como a compatibilidade depende da versão do Gmail, o Firefox não tem como descobrir se a extensão será compatível ou não. A melhor maneira de descobrir se a versão atual é suportada é consultando a página de status do add-on. Para verificar qual é a versão do seu Gmail, clique em Settings e depois na opção Tasks (que só aparece se a extensão estiver instalada e habilitada).

A solução provisória é desabilitar esta extensão até que ela seja atualizada para suportar a última versão do Gmail. O problema só ocorre na extensão de Firefox, o gadget do Remember The Milk, que fica na barra lateral do Gmail, continua funcionando normalmente.

Feeds autenticados no Google Reader

July 31st, 2009

Há muito tempo eu uso o Google Reader como leitor de feeds. A principal vantagem sobre as demais alternativas para desktop é o fato de não necessitar de instalação, podendo ser acessado diretamente pelo browser.

Outro dia, tentei cadastrar o feed do Twitter no Google Reader, e recebi a seguinte mensagem: “Sorry, an unexpected condition has occurred which is preventing Google Reader from fulfilling the request”. Tentei acessar o feed diretamente no Firefox, e, após solicitação de login e senha, os feeds apareceram normalmente. Após uma rápida pesquisa, descobri que o Google Reader não suporta feeds autenticados, o que é o caso do Twitter.

Uma das alternativas a este problema seria utilizar um leitor de feeds que suporta autenticação, como a extensão NewsFox para Firefox ou algum outro. Porém, para poder continuar utilizando o Google Reader, uma solução é o FreeMyFeed, um serviço que funciona como uma espécie de proxy para feeds autenticados: você informa a URL, o login e a senha do feed que exige autenticação, e ele gera um novo endereço de feed que permite acesso direto, inclusive pelo Google Reader.

Suporte a HTML 5 no Firefox 3.5

July 3rd, 2009

Esta semana saiu o Firefox 3.5, com uma série de melhorias, como o recurso de geolocalização e o modo Private Browsing. Além disso, o browser está muito mais rápido que na versão anterior, devido principalmente ao novo engine de Javascript e ao suporte nativo a JSON.

Além disso, outra novidade importante é a adição de suporte ao HTML 5. Esta versão ainda é um working draft, que traz como principais novidades as tags <video> e <audio>, para suporte nativo a mídias. Assim, não é mais necessário usar tags <embed> e um player externo para a exibição dos já onipresentes vídeos online. Existem vários sites que já utilizam HTML 5 para demonstrar os novos recursos, como mostra este post do Zumo e o Video Bay.