Posts Tagged ‘Programação’

Renderização condicional com JSF

April 29th, 2010

Muitos componentes JSF, como os do Tomahawk, por exemplo, possuem o atributo rendered. Este atributo, como diz o nome, indica se o componente será renderizado ou não. No valor deste atributo, é possível utilizar expressões JSF EL; desta forma, a lógica que indicará se o elemento será exibido ou não pode (e deve) ser transferida para um Managed Bean. Isso permite que evitemos colocar muita lógica nos XHTMLs, deixando-os mais limpos e organizados.

Porém, em determinados momentos, precisamos fazer a renderização condicional de elementos que os componentes JSF não oferecem. Uma possível solução seria inserir este elemento num <t:div>, por exemplo, pois este componente do Tomahawk possui o atributo rendered. Porém, estaríamos criando um <div> em torno do elemento desejado sem necessidade. O melhor neste caso seria utilizar o componente <t:htmlTag>.

O <t:htmlTag> possui um atributo value que define a tag HTML que será renderizada em seu lugar, caso o atributo rendered seja igual a true. Se o value for vazio, ele não criará nenhuma tag adicional; assim, o <t:htmlTag> servirá somente para a renderização condicional de tudo o que estiver dentro deste componente.

Atenção: o atributo value é obrigatório; se você omití-lo, o componente não funcionará! Para que ele não gere nenhuma tag, é necessário definir value=”", como no exemplo abaixo:

<t:htmlTag rendered="#{tipo.exibeDescricao}" value="">
    <div id="divDescricao_#{tipo.id}">
        <h:outputText value=" #{messages.descricao}" />
        <h:inputTextarea styleClass="inputAreaTexto" id="descricao" value="#{descricaoTipo}" />
    </div>
</t:htmlTag>

Nunca use o método Date.getYear() do Javascript

January 29th, 2010

Até a década de 1990, era muito comum escrevermos datas com apenas 2 dígitos representando o ano (ex: 1996 -> 96). Como todos já sabem, esta prática levou ao famoso bug do milênio, pois, desta forma, o ano 2000 tornava-se 0 (ou 100, dependendo do caso), gerando uma série de problemas, especialmente em códigos que calculavam um período entre duas datas. Felizmente, hoje em dia não temos mais esta preocupação. Ou temos?

Outro dia fui testar um sistema em diversos browsers, e ao realizar o teste no Opera, verifiquei que o componente inputCalendar do Tomahawk abria no ano de 3910. Testei no Firefox, Google Chrome e Internet Explorer 6, 7 e 8, e todos eles funcionavam corretamente. Resolvi olhar o código fonte do componente, e descobri que ele verificava o ano atual usando o método getYear da classe Date. Este método é fonte de diversos problemas e gambiarras em códigos Javascript que manipulam datas. O motivo é que diferentes browsers interpretam o método de maneiras diferentes. De acordo com a especificação ECMA-262, a função getYear deveria retornar o ano atual menos 1900. Nas versões mais recentes, o Firefox e o Google Chrome seguem esta especificação, retornando 110 para o ano de 2010. Já o Opera e o IE retornam 2010, contrariando a especificação e gerando os problemas já conhecidos. É muito comum encontrarmos códigos que verificam qual é o browser (com comentários condicionais ou verificações por Javascript) e, quando não for o IE, somando 1900 ao valor retornado pelo getYear. Esta verdadeira gambiarra não resolve completamente, pois, como já citado, o Opera se comporta da mesma forma que o IE.

A solução ideal para este problema é substituir o método getYear por getFullYear. Este método retorna o ano completo, com 4 dígitos, em todos os browsers, eliminando qualquer necessidade de verificação de browser. Esta recomendação, inclusive, faz parte da especificação ECMA-262, na página 242:

The getFullYear method is preferred for nearly all purposes, because it avoids the “year 2000 problem.”

Após corrigir este bug do Tomahawk, abri uma issue no Jira do projeto, anexando um patch para corrigir o problema.

Outras Referências:

Classes abstratas em Ruby?

December 4th, 2009

Como eu estava há algum tempo sem mexer com Ruby, resolvi fazer o ótimo curso online gratuito Core Ruby, do Satish Talim (também conhecido como Indian Guru) para relembrar algumas coisas. Ao chegar no tópico Ruby Overriding Methods, há um item sobre classes abstratas, que diz o seguinte:

Abstract class

In Ruby, we can define an abstract class that invokes certain undefined “abstract” methods, which are left for subclasses to define. For example:

# This class is abstract; it doesn't define hello or name
# No special syntax is required: any class that invokes methods
# that are intended for a subclass to implement is abstract
class AbstractKlass
  def welcome
    puts "#{hello} #{name}"
  end
end

# A concrete class
class ConcreteKlass < AbstractKlass
  def hello; "Hello"; end
  def name; "Ruby students"; end
end

ConcreteKlass.new.welcome # Displays "Hello Ruby students"

Assim que li esse código, fiquei com uma pulga atrás da orelha. Ele mostra como um exemplo de classe abstrata uma classe que faz referência a métodos não definidos, explicando que seria necessário criar uma classe concreta estendendo esta classe e implementando os métodos necessários.

Eu sempre pensei que classes abstratas fossem classes que não poderiam ser instanciadas, o que não é o caso do exemplo. É perfeitamente possível criar objetos da classe AbstractKlass. Só ocorrerá uma exceção se o método welcome do objeto criado for executado:

irb(main):006:0> obj = AbstractKlass.new
=> #<AbstractKlass:0x37d490>
irb(main):007:0> obj.class
=> AbstractKlass
irb(main):008:0> obj.welcome
NameError: undefined local variable or method `hello' for #<AbstractKlass:0x37d490>
        from (irb):9

Resolvi levantar esta questão no forum do curso, e recebi uma resposta de um dos participantes dizendo que em Ruby o conceito de classes abstratas seria diferente daquele que apresentei acima. De acordo com a definição da Wikipedia: “An abstract class, or abstract base class (ABC), is a class that cannot be instantiated”.

Pesquisando sobre o assunto, encontrei referências apresentando algumas sugestões de como implementar classes abstratas em Ruby de diferentes maneiras (herança, módulos e até um gem):

Uma das possibilidades mostradas nos links acima seria desta forma:

class AbstractClass
  class AbstractClassInstiationError < RuntimeError
  end

  def initialize
    raise AbstractClassInstiationError, "Cannot instantiate this class directly"
  end
end

class ConcreteClass < AbstractClass
  def initialize
  end
end

Isso teoricamente resolveria o problema:

irb(main):043:0> obj1 = AbstractClass.new
AbstractClass::AbstractClassInstiationError: Cannot instantiate this class directly
        from (irb):36:in `initialize'
        from (irb):44
irb(main):044:0> obj1.class
=> NilClass
irb(main):045:0> obj2 = ConcreteClass.new
=> #<ConcreteClass:0x309f9f>
irb(main):046:0> obj2.class
=> ConcreteClass

Porém, há um detalhe importantíssimo: em Ruby todas as classes são abertas, ou seja, sempre será possível reimplementar métodos ou adicionar módulos que alteram o comportamento da classe, tornando impossível proibir completamente a instanciação e, consequentemente, a implementação de classes abstratas (pelo menos de acordo com o conceito apresentado aqui).

A linguagem Ruby possui alguns conceitos diferentes dos utilizados em outras linguagens, em função de algumas de suas características, como classes abertas e meta programação. Isso nos força a pensar em maneiras diferentes de implementar soluções para os mesmos problemas, o que é muito bom.

Para concluir, segue um trecho do livro “Programming Ruby” que foi apresentado na discussão sobre este assunto no forum do curso:

The issue of types is actually somewhat deeper than an ongoing debate between strong typing advocates and the hippie-freak dynamic typing crowd. The real issue is the question, what is a type in the first place?

If you’ve been coding in conventional typed languages, you’ve probably been taught that the type of an object is its class—all objects are instances of some class, and that class is the object’s type. The class defines the operations (methods) that the object can support, along with the state (instance variables) on which those methods operate.

In Ruby, the class is never (OK, almost never) the type. Instead, the type of an object is defined more by what that object can do. In Ruby, we call this duck typing. If an object walks like a duck and talks like a duck, then the interpreter is happy to treat it as if it were a duck.

Problema com múltiplos joins em Criteria

November 12th, 2009

O Criteria é uma API do Hibernate que facilita muito quando precisamos montar uma query complexa com filtros opcionais. Adicionar restrições ou criar joins com esta API é muito mais simples de gerenciar do que concatenando Strings, como faríamos ao trabalhar com SQL puro.

Apesar das vantagens, o Criteria também tem alguns problemas. O último que encontrei foi ao tentar fazer 2 joins entre as mesmas 2 tabelas. No meu caso, eu tinha no banco as tabelas projeto e historico. A segunda tabela é populada através de uma trigger no banco: sempre que o status do projeto muda, a tabela historico registra o status anterior do projeto com data/hora da mudança. Eu precisava fazer uma query que buscasse um projeto com status “iniciado” num determinado período de datas e com status “finalizado” em outro período. Inicialmente, pensei simplesmente em criar 2 joins entre as tabelas, cada um com um alias diferente e filtrando pelas datas específicas:

Criteria criteria = getSession().createCriteria(Projeto.class);

// Primeiro join
criteria.createCriteria("historicoList", "historicoIniciado", Criteria.LEFT_JOIN)
        .add(Restrictions.eq("historicoIniciado.status", Status.INICIADO.value()))
        .add(Restrictions.ge("historicoIniciado.data", dataIniciadoDe))
        .add(Restrictions.le("historicoIniciado.data", dataIniciadoAte));

// Segundo join
criteria.createCriteria("historicoList", "historicoFinalizado", Criteria.LEFT_JOIN)
        .add(Restrictions.eq("historicoFinalizado.status", Status.FINALIZADO.value()))
        .add(Restrictions.ge("historicoFinalizado.data", dataFinalizadoDe))
        .add(Restrictions.le("historicoFinalizado.data", dataFinalizadoAte));

O código acima, apesar de semelhante ao que eu já havia criado para adicionar outros filtros à query de projetos, fazendo joins com outras tabelas, não funcionava. Tentei retirar um dos joins com a tabela historico e funcionou. Ou seja, o problema estava na criação do segundo join com as mesmas tabelas, mesmo utilizando aliases diferentes. Ao pesquisar este problema, descobri que não é um bug. Na verdade, o Criteria não suporta múltiplos joins para a mesma associação.

Sendo assim, a solução que encontrei para este problema foi criar uma subquery para a tabela historico, utilizando um DetachedCriteria:

DetachedCriteria historicoCriteria = DetachedCriteria.forClass(Historico.class, "historicoIniciado")
        .setProjection(Projections.distinct(Projections.property("projeto")))
        .add(Restrictions.eq("historicoIniciado.status", Status.INICIADO.value()));
        .add(Restrictions.ge("historicoIniciado.data", dataIniciadoDe));
        .add(Restrictions.le("historicoIniciado.data", dataIniciadoAte));
criteria.add(Subqueries.propertyIn("id", historicoCriteria));

Desta forma, apenas um dos joins precisa ser substituído por uma subquery. O outro join pode ser mantido sem problemas.

Desenvolvedores e plataformas poliglotas

September 11th, 2009

Há alguns anos atrás, era muito comum encontrarmos desenvolvedores que conheciam somente uma linguagem, e por isso intitulavam-se “desenvolvedor Java”, “desenvolvedor Delphi”, “desenvolvedor ASP”, ou qualquer outra linguagem. Eram pessoas que conheciam uma, e somente uma, linguagem de programação, e a defendiam com unhas e dentes em qualquer discussão nos fóruns, frequentemente gerando flame wars.

Esse tipo de desenvolvedor ainda existe, mas é cada vez menos comum, e isto é muito positivo. O livro The Pragmatic Programmer recomenda que aprendamos uma linguagem nova por ano, e, com isso, muitos daqueles desenvolvedores Java ou C# estão aprendendo Ruby, Python ou Erlang. Mesmo que não tenhamos pretensão de trabalhar com estas linguagens, pelo menos a curto ou médio prazo, cada linguagem tem suas particularidades, ajudando a quebrar paradigmas. Quando conhecemos somente uma linguagem, temos uma grande tendência a resolver os problemas sempre da mesma forma, conforme aprendemos e como é feito tradicionalmente com aquela linguagem. Desta forma, a tendência é a estagnação, pois não procuramos outras maneiras de resolver os problemas. A partir do momento em que começamos a estudar outras linguagens, abrimos nossa cabeça e começamos a “pensar fora da caixa”, e percebemos que existem muitas outras maneiras de resolver aquele mesmo problema, muitas delas mais simples e adequadas à situação. Surgem os desenvolvedores poliglotas.

Na época dos desenvolvedores monoglotas (sim, essa palavra existe!) era muito comum vermos discussões do tipo: “que linguagem é melhor, X ou Y?”. A melhor resposta é: depende! Depende da situação, do projeto, da experiência da equipe… Para cada situação, uma linguagem pode ser mais adequada que outra, o que traz uma grande vantagem para os poliglotas, pois, para se tomar esta decisão, é necessário conhecer as linguagens disponíveis. Ao mesmo tempo, se ninguém na equipe tiver experiência com determinada linguagem, seria um grande risco utilizá-la no projeto. É como uma caixa de ferramentas: se eu tiver somente um martelo na minha caixa, como farei para apertar um parafuso? É importante termos o maior número possível de ferramentas disponíveis, e conhecimento sobre cada uma delas, para que possamos escolher a mais adequada em cada situação.

Acompanhando esse comportamento, há atualmente uma forte tendência a plataformas poliglotas, o que também é muito positivo. As plataformas existentes já estão bastante maduras, têm algoritmos eficientes para gerenciamento de memória e Garbage Collection, por exemplo, e são bem conhecidas. Encontram-se nesta categoria as plataformas Java e .NET, que estão continuamente aumentando o número de linguagens suportadas – veja a lista de linguagens suportadas pela JVM e pelo .NET. Com isso, a escolha da linguagem para cada projeto fica muito mais fácil, permitindo, inclusive, projetos poliglotas. Se você trabalha com Java e decide utilizar Ruby no seu projeto, por exemplo, basta adicionar o jar do JRuby.

A conclusão que podemos tirar disso é que um desenvolvedor nunca deve estagnar. Procure sempre estudar e aprender novas coisas, mesmo que não seja nada relacionado com o que você está trabalhando atualmente, pois, mesmo que não venha a trabalhar, isso ajuda a quebrar paradigmas e permite que você se torne um melhor desenvolvedor.