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Rails e mass assignment: como aumentar a segurança dos atributos

November 22nd, 2011

Ao utilizar o scaffold do Rails, ele criará todos os métodos necessários no controller. Depois que o usuário preenche os dados do formulário e envia, é executado o método create do controller. Este método faz algo semelhante ao código abaixo (no exemplo é um CRUD de usuário):

@usuario = Usuario.new(params[:usuario])

Na forma em que o Rails cria o formulário, os atributos do usuário são passados ao controller como um hash. O valor do params acima é algo parecido com isso:

{"authenticity_token"=>"xI1Cy+LvUZzg6FR/1Y/JHcaHVPRyWsHmRII8BhMOr0E=",
 "utf8"=>"?",
 "action"=>"create",
 "controller"=>"usuarios",
 "usuario"=>{"nome"=>"Novo usuario", "email"=>"novo@usuario.com"}}

Além da definição do token de segurança, codificação em utf-8, nome do controller e da action que será executada, o parâmetro usuario contém todos os atributos que foram preenchidos no formulário. Desta forma, é muito simples atribuir os parâmetros preenchidos a um objeto Usuario, seja criando um novo (@usuario = Usuario.new(params[:usuario])) ou editando (@usuario.update_params(params[:usuario])). O Rails chama isso de mass assignment.

O problema desta abordagem é que o usuário poderia facilmente inserir novos parâmetros neste hash, simplesmente adicionando tags input hidden no formulário (usando o Firebug, por exemplo):

<input type="hidden" name="usuario[admin]" id="usuario_admin" value="true" />

Adicionando o código acima, o novo usuário criado receberia o valor true no atributo admin, o que representa uma falha grave na segurança da aplicação.

O Rails oferece um mecanismo para garantir a segurança nestes casos, usando os métodos attr_protected e attr_accessible do ActiveModel. O primeiro permite definir atributos que não podem ser alterados através de mass assignment:

class Usuario
  attr_protected :admin
end

E o attr_accessible é uma forma mais segura: somente os atributos passados para este método poderão ser alterados com mass assignment. Os demais ficam protegidos:

class Usuario
  attr_accessible :nome, :email
end

Obviamente estes dois métodos não podem ser usados simultaneamente, pois um exclui o outro.

Se você quiser atualizar um objeto com mass assignment ignorando a segurança fornecida pelo attr_accessible e pelo attr_protected, basta utilizar o parâmetro without_protection (somente no Rails 3.1):

Usuario.create(
  {:nome => "Novo usuario", :email =>"novo@usuario.com", :admin => true},
  :without_protection => true)

No exemplo acima, o usuário criado terá o atributo admin igual a true, mesmo que tenha sido usado o método attr_protected ou o attr_accessible para evitar a alteração deste atributo.

Outra opção interessante para evitar a alteração de atributos indesejados é o método attr_readonly. Os atributos passados para este método só poderão ser definidos na criação do objeto, e não poderão ser alterados depois. Porém, este método faz parte do ActiveRecord::Base, e não do ActiveModel, ou seja, ele não estará disponível se você usar outro ORM. Há uma issue aberta no Github solicitando que este método seja movido para o ActiveModel.

Link relacionado:

Gerenciando múltiplas versões de Ruby no Windows

May 19th, 2011

O RVM já se tornou a opção padrão para gerenciar múltiplas versões de Ruby. Ele permite instalar várias versões, alternar entre elas, instalar gems em cada versão independentemente… mas não funciona em ambiente Windows. Eu sei que este não é um ambiente muito popular para desenvolvimento Ruby, mas existem usuários de Windows (seja por opção ou por obrigação) programando em Ruby. Para estes, uma alternativa ao RVM é o Pik.

O Pik funciona de forma bastante semelhante ao RVM. Para instalá-lo, primeiro é necessário instalar o Ruby Installer, um pacote pré-configurado especialmente para instalar o Ruby no Windows. A documentação do Pik recomenda a versão 1.8.7. Em seguida, instale as gems rake, isolate e o próprio pik:

gem install rake isolate pik

Antes de instalar o isolate, talvez seja necessário atualizar o Rubygems com o comando abaixo:

gem update --system

O próximo passo é instalar o Pik no diretório de sua preferência. Um detalhe importante que já me custou um bom tempo é que o path completo não deve conter espaços. Execute o seguinte comando para instalar em C:\Ruby\pik, por exemplo:

pik_install C:\Ruby\pik

Concluída a instalação, o comando pik help commands exibe uma lista com os comandos disponíveis. Quem já usou o RVM não terá dificuldades, pois os comandos são bem semelhantes. Os comandos mais comuns são:

  • pik install ruby/jruby/ironruby [versão] -> instala a versão desejada do Ruby, JRuby ou IronRuby. A versão é opcional; se for omitida, será instalada a versão mais recente. Importante: antes de executar este comando, instale o 7zip e adicione-o ao path
  • pik list -> exibe as versões de Ruby atualmente instaladas
  • pik use [versão] -> seleciona uma versão instalada
  • pik gem [comando] -> executa um comando do Rubygems em todas as versões instaladas
  • pik ruby [parâmetros] -> executa Ruby em todas as versões instaladas

Inicialmente, o comando pik list exibe apenas a versão 1.8.7:

C:\Ruby\pik>pik list
* 187: ruby 1.8.7 (2011-02-18 patchlevel 334) [i386-mingw32]

Decidi instalar a última versão do Ruby e do JRuby. Após instalar estas duas versões, a saída do comando pik list ficou assim (o asterisco mostra a versão atualmente em uso):

C:\Ruby\pik>pik install ruby
...
C:\Ruby\pik>pik install jruby
...
C:\Ruby\pik>pik list
  161: jruby 1.6.1 (ruby-1.8.7-p330) (2011-04-12 85838f6) (Java HotSpot(TM) Client VM 1.6.0_24) [Windows XP-x86-java]
* 187: ruby 1.8.7 (2011-02-18 patchlevel 334) [i386-mingw32]
  192: ruby 1.9.2dev (2010-05-31) [i386-mingw32]

Para selecionar o JRuby, por exemplo, use o comando pik use 161 (é importante lembrar que neste caso os comandos mudam de nome: irb vira jirb, ruby vira jruby):

C:\Ruby\pik>pik use 161

C:\Ruby\pik>ruby -v
'ruby' não é reconhecido como um comando interno
ou externo, um programa operável ou um arquivo em lotes.

C:\Ruby\pik>jruby -v
jruby 1.6.1 (ruby-1.8.7-p330) (2011-04-12 85838f6) (Java HotSpot(TM) Client VM 1.6.0_24) [Windows XP-x86-java]

Para instalar gems, basta usar o comando gem install normalmente. A gem será instalada na versão atual do Ruby (ou seja, a que você selecionou com o comando pik use). O comando pik gem permite instalar uma gem em todas as versões:

C:\Ruby\pik>pik gem install mongo
jruby 1.6.1 (ruby-1.8.7-p330) (2011-04-12 85838f6) (Java HotSpot(TM) Client VM 1.6.0_24) [Windows XP-x86-java]

Fetching: bson-1.3.1-jruby.gem (100%)
Fetching: mongo-1.3.1.gem (100%)
Successfully installed bson-1.3.1-java
Successfully installed mongo-1.3.1
2 gems installed

ruby 1.8.7 (2011-02-18 patchlevel 334) [i386-mingw32]

Fetching: bson-1.3.1.gem (100%)
Fetching: mongo-1.3.1.gem (100%)
Successfully installed bson-1.3.1
Successfully installed mongo-1.3.1
2 gems installed
Installing ri documentation for bson-1.3.1...
Installing ri documentation for mongo-1.3.1...
Installing RDoc documentation for bson-1.3.1...
Installing RDoc documentation for mongo-1.3.1...

ruby 1.9.2dev (2010-05-31) [i386-mingw32]

Successfully installed bson-1.3.1
Successfully installed mongo-1.3.1
2 gems installed
Installing ri documentation for bson-1.3.1...
Installing ri documentation for mongo-1.3.1...
Installing RDoc documentation for bson-1.3.1...
Installing RDoc documentation for mongo-1.3.1...

O comando pik ruby permite executar um código em todas as versões instaladas, útil para verificar incompatibilidades entre as versões, como por exemplo o construtor com parâmetros da classe Time:

C:\Ruby\pik>pik ruby -e "puts Time.new('2011-01-01')"
jruby 1.6.1 (ruby-1.8.7-p330) (2011-04-12 85838f6) (Java HotSpot(TM) Client VM 1.6.0_24) [Windows XP-x86-java]

ArgumentError: wrong number of arguments (1 for 0)
  (root) at -e:1

ruby 1.8.7 (2011-02-18 patchlevel 334) [i386-mingw32]

-e:1:in `initialize': wrong number of arguments (1 for 0) (ArgumentError)
        from -e:1:in `new'
        from -e:1

ruby 1.9.2dev (2010-05-31) [i386-mingw32]

2011-01-01 00:00:00 -0200

Mais detalhes sobre o funcionamento do Pik podem ser encontrados no Github do projeto.

Representação de data e hora em Ruby 1.8.7 e 1.9

March 1st, 2011

A classe Time do Ruby é usada, como esperado, para representar uma data e hora. Existem várias formas de criar uma nova instância, a mais óbvia é usando Time.new (ou Time.now), que cria uma nova instância com a data e hora atuais:

irb(main):007:0> Time.new
=> Wed Feb 09 13:23:52 -0200 2011
irb(main):008:0> Time.now
=> Wed Feb 09 13:23:53 -0200 2011

Também é possível criar uma instância usando métodos como Time.at(time), que recebe um timestamp como parâmetro, Time.local(year, month, day, hour, min, sec_with_frac) e outros. Também há um construtor que recebe como parâmetro uma string representando a data:

irb(main):001:0> Time.new('2011-01-01')
=> Sat Jan 01 00:00:00 -0200 2011

Eu havia escrito um código que usava esse construtor no pidgin-logs-compressor, mas quando testei no JRuby 1.5.5, recebi uma exceção “ArgumentError: wrong number of arguments (1 for 0)”. Achei que fosse algum bug do JRuby, e realmente havia esse bug na versão que eu usava, mas já estava corrigido no JRuby 1.6RC1. Atualizei para esta versão, mas o erro continuou. Descobri que o erro que eu estava cometendo era relacionado com a versão do Ruby, e não do JRuby. Esse construtor com parâmetros é aceito no Ruby 1.9, mas não no 1.8.7, que é a versão usada por padrão pelo JRuby. Para fazer com que ele utilize a versão 1.9, basta acrescentar o parâmetro –1.9 na linha de comando:

jruby --1.9 -e 'puts Time.new("2011-02-16")'

Para manter compatibilidade com versões anteriores, é necessário usar algum dos outros métodos, como eu optei por fazer no pidgin-logs-compressor.

Para um overview de algumas novidades do Ruby 1.9: New Ruby 1.9 Features, Tips & Tricks.

Ruby no Ubuntu – erro na instalação de Rubygems

February 21st, 2011

Dica rápida de Ruby: se ao tentar instalar uma Rubygem no Ubuntu você receber uma mensagem como essa:

guilherme@guilherme-desktop:~$ sudo gem install mechanize
Building native extensions.  This could take a while...
ERROR:  Error installing mechanize:
    ERROR: Failed to build gem native extension.

/usr/bin/ruby1.8 extconf.rb
extconf.rb:5:in `require': no such file to load -- mkmf (LoadError)
    from extconf.rb:5

A solução é simples: basta instalar o pacote ruby-dev: sudo apt-get install ruby-dev. Este pacote é necessário para a instalação de gems nativas, que precisam ser compiladas na instalação.

Resumo do Dev in Rio 2010

October 29th, 2010

No dia 09 de outubro aconteceu o Dev in Rio 2010. Como a edição de 2009 foi muito boa, a expectativa para a deste ano era alta. E foi correspondida! Desta vez foram duas salas com palestras acontecendo simultaneamente. Eu fiquei na sala 2, onde assisti às seguintes palestras:

  • HTML 5 e as novas JS APIs – Leonardo Balter
  • Na primeira palestra foram apresentadas as principais APIs do HTML5. A palestra foi bem interessante, apesar de bastante prejudicada pela falta de WiFi no local, o que impediu que o palestrante mostrasse os vários exemplos que ele tinha preparado.

  • NodeJS – a performance que eu sempre quis ter – Emerson Macedo
  • A palestra do Emerson foi excelente. Ele apresentou o problema de bloqueio de I/O no acesso a banco de dados, que é um dos principais gargalos no desempenho para a maioria das linguagens de programação. O NodeJS ajuda a resolver este problema pois usa Javascript, que é uma linguagem orientada a eventos. No final da apresentação, ele divulgou o Nodecasts, site de screencasts sobre NodeJS que ele acaba de criar. A apresentação está disponível no blog do Emerson.

  • Lightning Talks
  • Após o almoço, foi disponibilizado um horário para lightning talks, pequenas apresentações de 5 minutos para quem tivesse algo interessante para mostrar. Como o tempo foi curto, foram apenas duas apresentações: a primeira sobre desenvolvimento de aplicações Python para celular e outra sobre a Apache Foundation.

  • Symfony – OO PHP para gente grande – Luã de Souza
  • Nesta palestra, foi apresentado o Symfony, um framework PHP para desenvolvimento web que vem crescendo bastante. É um framework MVC que, a exemplo de praticamente qualquer framework atual, inspira-se no Rails para simplificar o desenvolvimento de aplicações web.

  • Refactoring – Porque apenas fazer funcionar não é o suficiente – Caike Souza
  • Esta foi uma das melhores palestras do evento. Caike Souza falou sobre refactoring – destacando que não existe refactoring sem testes -, apresentou as principais vantagens e alguns exemplos práticos em Ruby.

  • Arquitetura: cansado da mesmice? – Guilherme Silveira
  • Apesar do título não deixar claro, esta palestra foi direcionada a arquitetura com serviços Restful. Como todas as palestras dele, Guilherme Silveira foi bastante claro, mostrando as vantagens de uma arquitetura voltada para serviços, que vai além da simples troca de arquivos XML entre aplicações. Ele mostrou um exemplo bem interessante, sobre integração entre sites de viagens, reserva de hotéis e calendário, onde o compartilhamento de recursos permite que uma aplicação acesse diretamente os serviços de outra. Mais detalhes no post que ele escreveu no blog da Caelum.

  • Testes unitários em JavaScript: usar ou não usar mock? – Márcio Santana
  • Na última palestra, foram apresentadas ferramentas para testes de código Javascript. Esta palestra também foi muito interessante, pois testes de Javascript são muito pouco comuns, mas não deveriam, já que Javascript também é código, e as aplicações web atuais possuem uma quantidade cada vez maior de código Javascript, principalmente para manipular interações com os usuários. Além do QUnit – framework para testar Javascript -, foram apresentadas bibliotecas de mock, como o Chameleon.

Enquanto isso, na sala 1 ocorreram palestras sobre Arduino, empreendedorismo, Scum e Ruby.

Apesar de tudo, o evento teve alguns problemas de organização. Além da já citada indisponibilidade de WiFi, as duas salas ficavam em andares diferentes, e o coffee break era ao lado da sala 1, o que dificultava o deslocamento. Num determinado momento, a palestra da sala 2 terminou e todos desceram para o andar da sala 1 para o coffee break, porém não podíamos entrar, pois a palestra não havia terminado. Apesar destes pequenos problemas, o Dev in Rio deste ano manteve a qualidade da primeira edição. Agora, ficamos aguardando a edição de 2011!